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Chegada de deslocados de Cabo Delgado a Namialo dificulta controlo da COVID-19


Chegada de deslocados de Cabo Delgado a Namialo dificulta controlo da COVID-19

 

A 95 km da cidade de Nampula situa-se a vila de Namialo, no distrito de Meconta. Trata-se do terceiro distrito para quem sai de Cabo Delgado para Nampula por via rodoviĂ¡ria e curiosamente, esse Ă© o destino de muitos “deslocados de guerra” por ter uma comunidade de antigos combatentes da etnia maconde.  

O silĂªncio, a calma, a paz e o sossego Ă© tudo quanto precisavam mas mais de 600 pessoas que deixaram os distritos do norte de Cabo Delgado, onde hĂ¡ dois anos e meio vive-se um clima de uma guerra nĂ£o declarada.

A movimentaĂ§Ă£o da populaĂ§Ă£o em massa começou em princĂ­pios de Abril passado, depois de intensos ataques nas vilas de MocĂ­mboa da Praia, Muidumbe, Macomia e Quissanga, por parte dos terroristas.

Teresa MaurĂ­cio, 30 anos de idade. GrĂ¡vida de sete meses, mĂ£e de trĂªs filhos. Consegiu sair de Muidumbe com a famĂ­lia, mas o que nĂ£o consegue neste momento Ă© apagar as memĂ³rios do que viveu em pleno dia da mulher moçambicana. “Entratam no dia sete de Abril e encotramo no mato atĂ© ao dia 11. Dia 12 saĂ­mos de casa. estive com os meus filhos esses dias todos no mato. Choveu e molhamos ali mesmo”.

Na aldeia onde viviam os terroristas mataram um professor. Tadeu RomĂ£o, 34 anos de idade, Ă© marido de Teresa. Diz que o que se passa em Cabo Delgado sĂ³ tem um nome:

“NĂ³s populaĂ§Ă£o que saiu de lĂ¡ famalos de guerra”.

Agora travam outra guerra para a sobrevivĂªncia! Arrendaram uma casa em Namialo a mil meticais, mas nĂ£o sabem como pagar no final do mĂªs porque nenhum deles trabalha.

A cada dia chegam mais deslocados. Numa das casas feita de material precĂ¡rio estĂ£o 19 pessoas. A situaĂ§Ă£o Ă© degradante. Os dias sĂ£o particulamente difĂ­cieis. Comer Ă© um desafio. Dormir, tambĂ©m. Na mesma casa cruzam-se pessoas de todas as idades que antes nĂ£o se conheciam.

VitĂ³ria Modesto escapou de dois ataques, em Abril e Maio. “Entraram no dia sete de Abril, Ă s 7 horas. AtĂ© deixei galinha dentro de casa, como era dia da mulher e fugi com os meus filhos para o mato e ficamos uma semana. Depois sai para a aldeia e preparei viagem para Mengueleua. Dia 11 de Maio aconteceu a mesma coisa em Mengueleua, Ă s 4h00 entraram os al-Sabaab”.

Muitos dos deslocados sĂ£o mulheres e crianças. Alguns nĂ£o tĂªm notĂ­cia dos parentes que se dispersaram pelas matas durante os ataques.

E o governo do posto administrativo de Namialo, em Nampula, diz que a chegada de deslocados de Cabo Delgado coloca um grande desafio na disponibilizaĂ§Ă£o de mantimentos e controlo da COVID-19.

Quando começou a se verificar o movimento massivo de chegada de deslocados, o Instituto Nacional de GestĂ£o de Calamidades e parceiros do Governo de Moçambique viram-se na contigĂªncia de prestar apoio aos afectados, disponibilizando quits de abrigo e produtos alimentĂ­cios.

“Estamos agora focalizados nesses 666, onde jĂ¡ abastecemos com alguns gĂ©neros alimentĂ­cios, vestuĂ¡rio, material de higiene e agora estĂ£o a receber quits de abrigo”, disse Adelina Mucala, chefe do Posto Administrativo de Namialo.

Neste momento de combate Ă  COVID-19, e atendendo que Cabo Delgado tem maior nĂºmero de casos a nĂ­vel nacional, as autoridades do posto administrativo de Namialo dizem que observam as medidas de prevenĂ§Ă£o.

“O que fazemos, sempre que os nossos lĂ­deres nos comunicam que tem novas entradas, accionamos alguma equipa jĂ¡ formada, onde um dos integrantes Ă© um tĂ©cnico de saĂºde. Eles fazem o seu trabalho e temos feito visitas para aconselhamento e acompanhamento no que diz respeito ao CIVID-19. Passadas duas semanas fazemos outro tipo de assistĂªncia”, explicou a dirigente.

Entretanto, hĂ¡ muitos deslocados que nĂ£o usama a mĂ¡scara, para alĂ©m do distanciamento social que praticamente nĂ£o Ă© observado dadas as concições em que aspessoas estĂ£o albergadas. 


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